Ciência e mercado: a integração que transforma pesquisa em soluções climáticas

Painel do Palco Finanças Verdes, no Summit Agenda SP+Verde, destacou o papel das parcerias estratégicas entre universidades, empresas e setor financeiro na construção de uma economia de baixo carbono

As parcerias estratégicas entre o setor privado e o setor acadêmico foram o eixo central do painel “Transformando a transição climática em novos negócios: o papel das parcerias entre o setor privado e a academia”, realizado no Palco Finanças Verdes, com patrocínio do Itaú Unibanco, durante o Summit Agenda SP+Verde.

O evento pré-COP, que coloca São Paulo no centro da agenda climática global, acontece nesta terça (4) e quarta-feira (5), no Parque Villa-Lobos, com entrada gratuita, ativações e programação cultural.

O painel abordou temas como a descarbonização da produção agrícola, novas matrizes energéticas e o papel do setor financeiro na aceleração de projetos de impacto. O debate evidenciou como é possível aproximar ciência e mercado, transformando conhecimento acadêmico em soluções escaláveis e parcerias que impulsionam a economia de baixo carbono.

Com moderação de Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, o painel reuniu Ana Flávia Nogueira, professora titular e diretora do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE/Unicamp), e Carlos Eduardo Cerri, professor titular do Centro de Carbono da Agricultura Tropical (CCARBON/USP e Esalq/USP). A presença de representantes de dois mundos — o acadêmico e o corporativo — revelou um ponto de convergência: a urgência em traduzir pesquisa em impacto econômico e ambiental concreto.

“O conhecimento científico precisa se traduzir em impacto real. A maior parte das pesquisas no Brasil ainda está concentrada dentro da academia. Precisamos aproximar ainda mais a iniciativa privada e o poder público das universidades. Quando esses três atores atuam de forma conjunta, mudamos a escala dos investimentos e encurtamos o caminho entre o laboratório e o mercado — e é nesse ponto que a inovação se torna transformação”, afirmou Ana Flávia Nogueira, destacando o papel das universidades na geração de tecnologias limpas e acessíveis.

Carlos Eduardo Cerri reforçou que a cooperação é decisiva para que a ciência amplie seus efeitos sobre a produtividade e as emissões. “A descarbonização depende de ciência aplicada, políticas públicas e investimento. A agricultura brasileira tem potencial para ser protagonista na economia de baixo carbono, mas isso só acontece com integração entre os setores. É urgente cessar o desmatamento completamente. Se fizermos isso, agricultura, pecuária e silvicultura ampliarão sua representatividade na redução de emissões no País. Quanto mais essa integração estiver bem articulada, mais rápido venceremos esses desafios”, observou.

O diálogo evidenciou que a transição climática não se resume à inovação tecnológica, mas envolve um ecossistema colaborativo, no qual conhecimento científico, capital e governança convergem para gerar valor sustentável.

Sobre o evento – O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.

A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.

Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes; Resiliência e o Futuro das Cidades; Justiça Climática e Sociobiodiversidade; Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular.

Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde orienta as discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.

O Summit é resultado de uma ampla mobilização pelo desenvolvimento sustentável e conta com patrocínio de Cosan, Comgás, Edge, Rumo, Sabesp, Itaú, Amazon, Votorantim Cimentos, EcoUrbis, Solví, Loga, Motiva, EDP, Veolia, CPFL Energia, Metrô, Stellantis, Ecovias, Toyota, JHSF, TetraPak, Aena, Scania, AstraZeneca, Weg e Bracell; além de apoio institucional da Fiesp, Senai, Única, Aesabesp, Abrainc, Secovi-SP, Associação Comercial de São Paulo, Pateo 76, Abiogás, SP Águas, Cetesb, DER-SP, Fundação Florestal, Arsesp, SPTrans, Prefeitura de Campinas, B3, The Nature Conservancy, CEBDS, Pacto Global, SOS Mata Atlântica, Movimento Circular, União BR, Circular Brain, CET-SP, Dia da Terra, Instituto de Conservação Costeira, Inovaclima, IPT, Zeros, Ideia Sustentável, Kearney, Instituto Baccarelli, Zero Summit, Parque Villa-Lobos, NEOOH, Global Renewables Alliance (GRA), Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), MBRF, White Martins e Microsoft.