Summit Agenda SP+Verde debate financiamento climático internacional e oportunidades para o Brasil

Especialistas discutem estratégias para conectar fundos internacionais e multilaterais às políticas e projetos de sustentabilidade

Um dia após o Governo de São Paulo, por meio da agência Desenvolve SP, anunciar um acordo de US$ 110 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para acelerar o financiamento verde no Estado, o tema financiamento climático internacional abriu os debates no Palco Finanças Verdes do evento pré-COP Summit Agenda SP+Verde. Realizado pelo Governo do Estado em parceria com a Prefeitura de São Paulo e a Universidade de São Paulo (USP), o encontro posiciona São Paulo no centro da agenda climática global. O evento segue até esta terça-feira (5), no Parque Villa-Lobos, com entrada gratuita e aberta a todos os públicos.

O painel “Do Global ao Local: Conectando o Financiamento Climático Internacional”, que abriu a programação do Palco Finanças Verdes, abordou o papel dos bancos de desenvolvimento, dos fluxos financeiros multilaterais e das parcerias internacionais, destacando como o Estado de São Paulo e o Brasil podem se consolidar como destinos estratégicos para investimentos verdes. Entre os principais temas estiveram as ações de despoluição do Rio Pinheiros e o programa Finaclima, ambos reconhecidos no cenário global pelo potencial de atrair novos investimentos.

Moderado por Stefano Gatti, Superintendente de Sustentabilidade e Impacto da Desenvolve SP, o painel reuniu Manoel Serrão, Superintendente de Programas do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio); Nigar Arpadarai, Climate High-Level Champion da COP29 e parlamentar independente do Azerbaijão; Angela Gandra, Secretária Municipal de Relações Internacionais de São Paulo; e Alejandro Morgado, Investment Officer no Departamento de Infraestrutura e Energia da International Finance Corporation (IFC) – Banco Mundial.

Ao longo do debate, os participantes enfatizaram a importância de construir pontes entre recursos internacionais e iniciativas locais, de forma a transformar o financiamento climático em resultados reais e mensuráveis. Foram apresentadas estratégias para atrair investimentos verdes, alinhar políticas públicas e mobilizar o setor privado em torno de projetos sustentáveis de alto impacto.

Para Manoel Serrão, a experiência do Funbio demonstra como o gerenciamento eficiente de fundos climáticos pode gerar resultados concretos. “O financiamento climático precisa ser direcionado para projetos que gerem impactos tangíveis em biodiversidade, mitigação de emissões e desenvolvimento sustentável. A integração entre recursos internacionais e estratégias locais é essencial para multiplicar os efeitos positivos. O interessante no Estado de São Paulo é que a gestão se preparou tanto para quem vai investir quanto para quem vai realizar a restauração. O Finaclima é um exemplo dessa integração bem-sucedida.”

Trazendo a perspectiva global, Nigar Arpadarai destacou a importância da governança e das parcerias internacionais. “O acesso a fundos multilaterais exige alinhamento com padrões internacionais e uma governança sólida. O Estado de São Paulo é uma referência na atração de investimentos verdes, conectando compromissos climáticos globais a soluções locais. Às vésperas da COP-30, precisamos lembrar que o fator humano é central — precisamos de talentos e ações que mobilizem o setor privado para acelerar a transição verde.”

Angela Gandra reforçou a relevância das políticas municipais e do engajamento local na agenda climática. “São Paulo tem uma governança forte e atrai investimentos porque é efetiva na implementação das ações. A perseverança nas políticas públicas e a objetividade da gestão fazem a diferença. Ser a quinta maior metrópole do mundo já atrai a atenção internacional, mas o que realmente impulsiona a cidade é o foco na qualidade de vida do cidadão. A iniciativa da gestão é o que faz São Paulo avançar cada vez mais.”

Encerrando o painel, Alejandro Morgado destacou o papel dos bancos de desenvolvimento e das instituições multilaterais na mobilização de capital privado. “Essas instituições podem catalisar recursos significativos, promovendo inovação, escalabilidade e segurança para investidores que buscam impacto sustentável em toda a América Latina.”

Sobre o evento

O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde. A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.

Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes; Resiliência e o Futuro das Cidades; Justiça Climática e Sociobiodiversidade; e Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular também conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular. Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde é o centro das discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.

O Summit é resultado de uma ampla mobilização pelo desenvolvimento sustentável e conta com patrocínio de Cosan, Comgás, Edge, Rumo, Sabesp, Itaú, Amazon, Votorantim Cimentos, EcoUrbis, Solví, Loga, Motiva, EDP, Veolia, CPFL Energia, Metrô, Stellantis, Ecovias, Toyota, JHSF, TetraPak, Aena, Scania, AstraZeneca, Weg e Bracell; além de apoio institucional da Fiesp, Senai, Única, Aesabesp, Abrainc, Secovi-SP, Associação Comercial de São Paulo, Pateo 76, Abiogás, SP Águas, Cetesb, DER-SP, Fundação Florestal, Arsesp, SPTrans, Prefeitura de Campinas, B3, The Nature Conservancy, CEBDS, Pacto Global, SOS Mata Atlântica, Movimento Circular, União BR, Circular Brain, CET-SP, Dia da Terra, Instituto de Conservação Costeira, Inovaclima, IPT, Zeros, Ideia Sustentável, Kearney, Instituto Baccarelli, Zero Summit, Parque Villa-Lobos, NEOOH, Global Renewables Alliance (GRA), Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), MBRF, White Martins e Microsoft.