Brasil precisa diversificar transporte para reduzir emissões, diz secretário


Em evento pré-COP 30, especialistas discutem descarbonização e defendem uso de gás natural, biometano e eletrificação no setor de mobilidade

O transporte é responsável por cerca de 47% das emissões de gases de efeito estufa do setor de energia no Brasil, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Com a meta de neutralidade de carbono até 2050, o país precisa acelerar a transição energética no setor e diversificar os modais de transporte, ainda fortemente dependente do rodoviário.

A avaliação foi feita durante o painel “Descarbonização da matriz de transporte brasileira: soluções efetivas para a agenda climática global”, que reuniu especialistas e lideranças internacionais nesta terça-feira (4), no Summit Agenda SP+Verde, evento pré-COP organizado pelo Governo de São Paulo.

Participaram do debate Demétrio Magalhães, CEO da Edge; Rafael Benini, secretário de Parcerias em Investimentos do Governo de São Paulo; Jennie Cato, diretora global de Assuntos Públicos e Relações Governamentais do TRATON Group – Scania; e Luz Stella, presidente da Colombian Natural Gas Association (Naturgas). A moderação foi conduzida por Dimmi Amora, jornalista da Agência Infra.

Segundo Rafael Benini, o Brasil ainda concentra grande parte do transporte em rodovias e precisa aproveitar melhor sua matriz energética limpa. Ele citou como exemplo a nova parceria público-privada das travessias litorâneas do Estado de São Paulo, que serão totalmente elétricas. Ele afirmou que, mesmo com a redução no uso de combustíveis fósseis, é necessário ampliar o transporte de massa e acelerar a expansão de metrôs, trens e ônibus elétricos para reduzir emissões e tornar a mobilidade urbana mais eficiente.

Jennie Cato, da Scania, afirmou que não existe solução única para a descarbonização do transporte e que o avanço depende de infraestrutura e políticas públicas adequadas. Ela disse que a Scania trabalha com diferentes tecnologias, de biodiesel a veículos elétricos, mas que é necessário garantir competitividade no custo total de operação. Para ela, o Brasil tem vantagem por contar com uma base de energia majoritariamente renovável.

A presidente da Naturgas, Luz Stella, apresentou a experiência da Colômbia na adoção do gás natural como alternativa de curto prazo para reduzir emissões no transporte público. Em Bogotá, 30% da frota de ônibus já opera com gás natural, com expansão para outras cidades como Medellín, que conta com cerca de 400 veículos. Segundo ela, a mudança gera ganhos ambientais e econômicos.

Demétrio Magalhães, CEO da Edge, destacou o papel estratégico do gás natural e do biometano na transição brasileira. Hoje, apenas 6% da matriz energética nacional utiliza gás natural, e no transporte esse número cai para 1%. Ele afirmou que o gás natural e o biometano podem reduzir até 80% das emissões de carbono e representam uma oportunidade concreta para diversificar a matriz e reduzir custos. Magalhães afirmou ainda que o setor privado já vem investindo em plantas de biometano e na ampliação do mercado livre de gás, reforçando que o Brasil tem potencial para se tornar referência em energia limpa.

Benini também destacou o papel do poder público, especialmente do Governo de São Paulo, na criação de incentivos e marcos regulatórios que estimulem investimento privado em tecnologias limpas. Segundo ele, a transição depende da integração entre governo e iniciativa privada, e cabe ao Estado conduzir políticas que tornem viável o investimento em mobilidade sustentável.

Sobre o evento

O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.

A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.

Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes, Resiliência e o Futuro das Cidades, Justiça Climática e Sociobiodiversidade e Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular também conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular.

Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde é o centro das discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.

O Summit é resultado de uma ampla mobilização pelo desenvolvimento sustentável e conta com patrocínio de Cosan, Comgás, Edge, Rumo, Sabesp, Itaú, Amazon, Votorantim Cimentos, EcoUrbis, Solví, Loga, Motiva, EDP, Veolia, CPFL Energia, Metrô, Stellantis, Ecovias, Toyota, JHSF, TetraPak, Aena, Scania, AstraZeneca, Weg e Bracell; além de apoio institucional da Fiesp, Senai, Única, Aesabesp, Abrainc, Secovi-SP, Associação Comercial de São Paulo, Pateo 76, Abiogás, SP Águas, Cetesb, DER-SP, Fundação Florestal, Arsesp, SPTrans, Prefeitura de Campinas, B3, The Nature Conservancy, CEBDS, Pacto Global, SOS Mata Atlântica, Movimento Circular, União BR, Circular Brain, CET-SP, Dia da Terra, Instituto de Conservação Costeira, Inovaclima, IPT, Zeros, Ideia Sustentável, Kearney, Instituto Baccarelli, Zero Summit, Parque Villa-Lobos, NEOOH, Global Renewables Alliance (GRA) e Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), MBRF, White Martins e Microsoft.