Inovação é chave para circularidade, e também para os negócios

No painel no Summit Agenda SP+Verde, especialistas apontam inovação, educação e parcerias como pilares para escalar soluções regenerativas no Brasil

São Paulo, 04 de novembro de 2025 – O painel “Inovar para Circular: Modelos de Negócios Regenerativos Escaláveis”, realizado nesta terça-feira (4) durante o Summit Agenda SP+Verde — evento internacional pré-COP promovido pelo Governo e Prefeitura de São Paulo, em parceria com a USP — reuniu especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater o desenvolvimento sustentável e a economia verde. A discussão trouxe inspirações sobre como criar modelos aplicáveis e escaláveis, capazes de unir rentabilidade e regeneração.

O debate destacou a economia circular como vetor de desenvolvimento e oportunidade de negócios entre empresas públicas e privadas. Moderado por Vinícius Saraceni, diretor-geral do Movimento Circular, o painel contou com Fábio Brasiliano (diretor executivo da ABIHPEC), Fernando Bernardes (CEO da Central de Custódia) e Diego Nicoletti(CEO da Solví), que compartilharam as soluções adotadas por suas organizações.

Saraceni ressaltou a intensa agenda do Hub da Circularidade, também presente no evento, e afirmou que o Brasil vive um momento de inflexão, em que a economia circular se consolida como um desafio estratégico e uma grande agenda de oportunidades. “Impulsionada pela bioeconomia, por uma rede crescente de cooperativas e por uma efervescência regulatória, a expansão de modelos regenerativos exige superar lacunas tecnológicas, desafios de desenvolvimento e mudanças de mentalidade, com uma necessidade emergente de letramento de todos os atores da cadeia”, afirmou.

O papel pioneiro da ABIHPEC e dos catadores foi destacado por Fábio Brasiliano, que apresentou o sucesso do programa “Mãos para o Futuro”, referência no setor de cosméticos. O projeto já destinou mais de 1 milhão de toneladas de resíduos e envolve 5 mil catadores em 200 cooperativas, tornando-se exemplo de logística reversa e responsabilidade compartilhada. A figura do catador, composta em 70% por mulheres, foi ressaltada como pilar de inclusão econômica e social no modelo brasileiro.

Fernando Bernardes chamou atenção para a atual “efervescência regulatória” no país, com projetos de lei sobre plásticos, economia circular e taxonomia sustentável. Ele destacou a Nota Fiscal Eletrônica (NFe) como um sistema de rastreabilidade de classe mundial, que dá ao Brasil potencial para escalar o rastreamento de materiais. Contudo, alertou para desafios financeiros, como o impacto do decreto do plástico, que exige que 22% das embalagens contenham material reciclado, além da falta de incentivos. “Não basta criar a lei. O setor público precisa mostrar o caminho de como cumprir e como fiscalizar”, observou.

Já Diego Nicoletti apresentou a Solví como líder em gestão de resíduos na América do Sul, com a circularidade no centro de seu modelo de negócios. Entre as inovações citadas estão a frota de caminhões movida a biometano (produzido a partir do biogás dos aterros), o projeto OrganoSolví — que transforma resíduos de São Paulo em fertilizantes orgânicos — e o pioneirismo da empresa em créditos de carbono de aterros sanitários.

A flutuação do preço dos recicláveis e a tecnologia semi-automatizada foram apontadas como obstáculos à expansão do setor. Os palestrantes lembraram que, em todo o mundo, existe a “conta de resíduos”, mas no Brasil ela ainda não é realidade. Nicoletti destacou que, onde há cobrança, há mais segurança jurídica e financeira para garantir a circularidade. “Quando se implementa a cobrança, reduz-se imediatamente 10% da geração de resíduos”, disse. O executivo citou Joinville como cidade modelo, onde a tarifa de resíduos é de R$ 37 por família.

Parcerias e educação ambiental como bases da transição

Houve consenso sobre a importância das parcerias público-privadas para suprir lacunas estruturais e sobre o papel do poder público como viabilizador, fomentador de P&D e regulador. A educação ambiental foi apontada como essencial para qualificar o resíduo e garantir o sucesso de iniciativas como a compostagem.

Os debatedores também destacaram que a gestão de resíduos urbanos tem impacto ambiental e social muito maior do que se imagina — até mais relevante, em termos práticos, do que a agenda da Amazônia. Com 5.570 municípios e cerca de 3 mil lixões e aterros ilegais ainda em operação, o engajamento das prefeituras foi considerado decisivo para que a economia circular avance no país. “O Brasil é um país em desenvolvimento, com milhões de pessoas sem saneamento e sem água potável. O envolvimento dos municípios é chave para levar a circularidade a um novo patamar”, afirmou Brasiliano.

O painel também ressaltou o papel da inovação no desenvolvimento de novos materiais que possam substituir os atuais, com destaque para o design de embalagens — como as de café, que ainda representam desafios à reciclagem. Para os participantes, o fomento à inovação é essencial para criar novos materiais e tecnologias, reduzir a pegada plástica e fortalecer as conexões entre as agendas de carbono e climática.

Sobre o evento

O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde. A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.

Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes, Resiliência e o Futuro das Cidades, Justiça Climática e Sociobiodiversidade e Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular também conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular.

Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde é o centro das discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.

O Summit é resultado de uma ampla mobilização pelo desenvolvimento sustentável e conta com patrocínio de Cosan, Comgás, Edge, Rumo, Sabesp, Itaú, Amazon, Votorantim Cimentos, EcoUrbis, Solví, Loga, Motiva, EDP, Veolia, CPFL Energia, Metrô, Stellantis, Ecovias, Toyota, JHSF, TetraPak, Aena, Scania, AstraZeneca, Weg e Bracell; além de apoio institucional da Fiesp, Senai, Única, Aesabesp, Abrainc, Secovi-SP, Associação Comercial de São Paulo, Pateo 76, Abiogás, SP Águas, Cetesb, DER-SP, Fundação Florestal, Arsesp, SPTrans, Prefeitura de Campinas, B3, The Nature Conservancy, CEBDS, Pacto Global, SOS Mata Atlântica, Movimento Circular, União BR, Circular Brain, CET-SP, Dia da Terra, Instituto de Conservação Costeira, Inovaclima, IPT, Zeros, Ideia Sustentável, Kearney, Instituto Baccarelli, Zero Summit, Parque Villa-Lobos, NEOOH, Global Renewables Alliance (GRA) e Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), MBRF, White Martins e Microsoft.