A transição para uma economia de baixo carbono exige não apenas a expansão das energias renováveis, mas também o avanço de tecnologias capazes de remover CO₂ da atmosfera. Nesse contexto, a Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) e a Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS) despontam como ferramentas estratégicas para atingir emissões líquidas negativas e apoiar os compromissos globais de neutralidade climática.
Durante o painel “Tecnologias para uma Economia de Baixo Carbono: CCS, BECCS e o Potencial Paulista”, especialistas e representantes dos setores público e privado discutiram como São Paulo — com sua base industrial diversificada, o protagonismo do setor sucroenergético e um histórico de inovação — pode se consolidar como polo de desenvolvimento e implementação dessas soluções.
A diretora de Gestão Corporativa e Sustentabilidade da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), Liv Nakashima, destacou que a Companhia possui um plano de ação climática voltado à neutralidade e que tornar esses projetos viáveis é essencial para que as metas sejam alcançadas. Segundo ela, um dos principais elementos para a aprovação de projetos de Captura e Armazenamento de Carbono é a existência de uma regulamentação clara e transparente, capaz de oferecer segurança aos investidores. Liv reforçou ainda que o estado de São Paulo tem trabalhado para tornar esse ambiente mais atrativo e que os técnicos da Cetesb precisam estar capacitados para compreender a complexidade e os riscos associados às novas energias, além de conhecer a realidade dos polos industriais e as fragilidades ambientais. “Precisamos ter dados e informações adequadas para avaliar os projetos com segurança”, disse.
O sócio da YvY Capital, Bruno Laskowsky, ressaltou a importância de debater o tema em um evento de grande porte, reunindo diversos atores do setor. Para ele, discutir BECCS sob a ótica dos investidores envolve uma série de complexidades, e os resultados mais consistentes desses projetos só poderão ser observados no longo prazo. Laskowsky destacou ainda o potencial do Brasil no mercado de ativos ambientais, afirmando que o país reúne condições únicas para liderar esse movimento. “O Brasil é o melhor lugar para que isso possa ocorrer. Já temos fontes renováveis, somos provedores mundiais de alimentos, e temos florestas.”
Segundo ele, a tríade que sustenta esse tipo de investimento envolve taxa de retorno, volume alocado e liquidez. “O investimento climático é o ‘bônus Brasil’, porque podemos ser grandes exportadores de carbono”, completou.
A diretora de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Worley, Juliana Damasceno, destacou que eventos como esse motivam o setor a enfrentar os desafios que estão por vir, ressaltando que já existe um arcabouço preparado, com a atuação conjunta da iniciativa privada e dos órgãos governamentais. Juliana explicou que a Worley atua em toda a cadeia da transição energética, desde os estudos de viabilidade até a implementação dos projetos. “Temos mais de três mil projetos em andamento no mundo. Em relação à captura de carbono, são mais de 400 projetos BECCS. Na América Latina, estamos desenvolvendo mais de 30 projetos”, afirmou.
Ela acrescentou ainda que a empresa também atua no controle do solo e no monitoramento das operações, reforçando o compromisso da Worley com o desenvolvimento sustentável da região.
Sobre o evento – O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.
A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.
Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes, Resiliência e o Futuro das Cidades, Justiça Climática e Sociobiodiversidade e Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular também conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular.
Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde é o centro das discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.
O Summit é resultado de uma ampla mobilização pelo desenvolvimento sustentável e conta com patrocínio de Cosan, Comgás, Edge, Rumo, Sabesp, Itaú, Amazon, Votorantim Cimentos, EcoUrbis, Solví, Loga, Motiva, EDP, Veolia, CPFL Energia, Metrô, Stellantis, Ecovias, Toyota, JHSF, TetraPak, Aena, Scania, AstraZeneca, Weg e Bracell; além de apoio institucional da Fiesp, Senai, Única, Aesabesp, Abrainc, Secovi-SP, Associação Comercial de São Paulo, Pateo 76, Abiogás, SP Águas, Cetesb, DER-SP, Fundação Florestal, Arsesp, SPTrans, Prefeitura de Campinas, B3, The Nature Conservancy, CEBDS, Pacto Global, SOS Mata Atlântica, Movimento Circular, União BR, Circular Brain, CET-SP, Dia da Terra, Instituto de Conservação Costeira, Inovaclima, IPT, Zeros, Ideia Sustentável, Kearney, Instituto Baccarelli, Zero Summit, Parque Villa-Lobos, NEOOH, Global Renewables Alliance (GRA) e Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), MBRF, White Martins e Microsoft.