IA e sustentabilidade: o futuro verde da revolução digital

Especialistas destacam que o futuro digital depende de políticas que reduzam o impacto energético da tecnologia.

Enquanto a inteligência artificial (IA) avança em ritmo acelerado e transforma setores como indústria, energia e educação, seu impacto ambiental cresce na mesma proporção. No painel “IA e Sustentabilidade: Desafios e Oportunidades”, realizado nesta quarta-feira (5) no Summit Agenda SP+Verde, especialistas defenderam que o Brasil precisa adotar políticas públicas e estratégias empresariais para garantir que a revolução digital não comprometa as metas climáticas do país.

Participaram do debate Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil; Ronaldo Lemos, advogado e pesquisador de tecnologia; Wolfgang Dieker, diretor global de Relações Governamentais e Responsabilidade Social da SAP; e José Luiz Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES. A moderação foi de Thiago Camargo, vice-presidente executivo da InvestSP.

O principal desafio apontado pelos painelistas está no consumo de energia e de recursos hídricos dos grandes centros de dados — infraestrutura essencial para sustentar o avanço da IA. “O futuro será digital e verde ao mesmo tempo. Estamos inaugurando um novo data center e, ao mesmo tempo, investindo em formação. Nosso compromisso é capacitar pelo menos 5 mil pessoas por ano para o uso responsável da tecnologia”, afirmou Priscyla Laham.

Para a executiva, a sustentabilidade deve ser tratada como alavanca para a inovação, e não como obstáculo. “É preciso que as empresas invistam de forma consciente, otimizando recursos e garantindo eficiência ambiental.”

Ronaldo Lemos defendeu que a expansão digital no Brasil precisa estar conectada à transição energética. “O país domina o biometano, produzido a partir do resíduo do agronegócio. Há uma oportunidade de usar essa matriz para abastecer data centers e aliviar a pressão sobre o sistema elétrico”, disse. Segundo ele, a IA só será sustentável se for também nacional, e não apenas importada. “O Brasil não pode ser só consumidor de tecnologia. O tempo de construir é agora.”

Na mesma linha, José Luiz Gordon, do BNDES, destacou que os bancos de fomento podem estimular inovação verde ao apoiar projetos que conciliem produtividade e eficiência ambiental. “A inteligência artificial pode ser uma aliada da descarbonização, desde que usada para otimizar processos e reduzir desperdícios”, afirmou.

Os participantes convergiram na ideia de que a era digital e a transição verde não são agendas concorrentes, mas complementares. “O futuro será definido por quem conseguir equilibrar essas duas revoluções: a tecnológica e a ambiental”, resumiu o moderador Thiago Camargo, ao encerrar o painel.

Sobre o evento

O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.

A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.

Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes, Resiliência e o Futuro das Cidades, Justiça Climática e Sociobiodiversidade e Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular também conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular.

Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde é o centro das discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.

O Summit é resultado de uma ampla mobilização pelo desenvolvimento sustentável e conta com patrocínio de Cosan, Comgás, Edge, Rumo, Sabesp, Itaú, Amazon, Votorantim Cimentos, EcoUrbis, Solví, Loga, Motiva, EDP, Veolia, CPFL Energia, Metrô, Stellantis, Ecovias, Toyota, JHSF, TetraPak, Aena, Scania, AstraZeneca, Weg e Bracell; além de apoio institucional da Fiesp, Senai, Única, Aesabesp, Abrainc, Secovi-SP, Associação Comercial de São Paulo, Pateo 76, Abiogás, SP Águas, Cetesb, DER-SP, Fundação Florestal, Arsesp, SPTrans, Prefeitura de Campinas, B3, The Nature Conservancy, CEBDS, Pacto Global, SOS Mata Atlântica, Movimento Circular, União BR, Circular Brain, CET-SP, Dia da Terra, Instituto de Conservação Costeira, Inovaclima, IPT, Zeros, Ideia Sustentável, Kearney, Instituto Baccarelli, Zero Summit, Parque Villa-Lobos, NEOOH, Global Renewables Alliance (GRA) e Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), MBRF, White Martins e Microsoft.